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A importância das árvores urbanas. Por Nilton Kasctin dos Santos
11/06/2021 14:26 em Opinião. Por Nilton dos Santos

As árvores são essenciais à vida urbana, pois: a) reduzem a poluição do ar provocada por veículos automotores e indústrias; b) minimizam a poluição sonora; c) equilibram a temperatura da cidade; d) amenizam a força do vento; e) servem de habitat para insetos e pássaros que equilibram e enfeitam o ambiente; f) protegem o lençol freático; g) evitam o ressecamento do ar; h) fornecem sombra para automóveis e pessoas; i) embelezam a paisagem.

         A poluição atmosférica causada por agrotóxicos, veículos automotores e indústrias é algo grave. Só os veículos a motor são responsáveis pela produção de 80% do monóxido de carbono nas cidades. Além disso, os escapamentos dos motores dos carros liberam benzipireno, chumbo e outros gases cancerígenos. Apenas esse fato já basta para que se recomende cuidado com a arborização urbana, pois um hectare de árvore assimila cerca de cinco toneladas de gases tóxicos e libera de oito a dez toneladas de oxigênio por ano.

         Apenas uma árvore transpira em média 400 litros de água por dia, produzindo o efeito de 5 condicionadores de ar. A árvore retira água do fundo da terra, jogando-a no ar através das folhas. Logo, preservar as árvores do espaço urbano implica melhor qualidade de vida.

         Todavia, no inverno a maioria das cidades gaúchas vira cenário de um nefasto costume. As árvores são criminosamente decepadas. Isso é crime, com pena de um ano de prisão (art. 49 da Lei nº 9.605/98). Além de improbidade administrativa do prefeito que não fiscaliza os casos de podas irregulares.

         A prática da poda foi trazida ao Brasil pelos imigrantes europeus, para árvores frutíferas (pessegueiros, macieiras etc.). Mas começou a ser aplicada também nas demais espécies, embora seja consenso entre técnicos que tal prática é sempre prejudicial ao ambiente e à saúde humana, pois o corte dos galhos faz com que a árvore interrompa suas funções de equilíbrio ambiental e de captação de gases tóxicos.

         A arborização urbana jamais pode ser podada, exceto em raras hipóteses legais, como árvores que tocam a fiação elétrica ou que causem perigo concreto de queda. No caso da fiação, apenas os galhos que tocam os fios podem ser cortados; jamais a copa toda.

         Mas acabar com essa prática criminosa tem sido difícil, pois estamos diante da necessidade de mudança de costume, de cultura. Disse o cientista Michel Bachelet: “o comportamento dos homens é feito de hábitos e sempre foi difícil modificar aquilo que é confortável, mesmo que esse conforto crie erros funestos” (Ingerência Ecológica. Instituto Piaget, Lisboa, 1995, p. 22).

         É bom lembrar que as árvores são essenciais tanto nas grandes como nas pequenas cidades. Um município do porte de Ijuí (com 80 mil habitantes) possui cerca de 60 mil veículos cadastrados. Além disso, centenas de veículos de municípios vizinhos ajudam a entupir a cidade. Ora, como quase todos esses veículos possuem motores a gasolina ou óleo diesel, é evidente que nesse local há intensa poluição atmosférica e sonora. Logo, se as árvores forem periodicamente podadas, a população irá sofrer mais intensamente os efeitos desse tipo de poluição, experimentando sensível redução da qualidade de vida.

         Uma árvore reiteradamente podada tende a morrer. E não é comum as prefeituras realizarem o replantio de exemplares extintos. Há quarteirões inteiros sem nenhuma árvore. E mesmo que houvesse a reposição imediata, um exemplar recém plantado leva anos para substituir plenamente uma árvore adulta no que se refere às funções antes apontadas.

         O único caminho racional, portanto, é a preservação, começando pela aplicação da lei que proíbe a poda no espaço urbano. Só isso fará com que se abandone o costume criminoso da poda generalizada.

Por Nilton Kasctin dos Santos (Professor e Promotor de Justiça)

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