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A arte de imitar Deus. Por Nilton Kasctin dos Santos
13/05/2021 21:26 em Opinião. Por Nilton dos Santos

A ideia de que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus só tem sentido se compreendermos que o Criador inventou o homem para imitá-lo.

         Mas como imitar Deus, se não podemos ser santos como Ele, nem ter o seu poder?

         Não é preciso dizer que somos diferentes de Deus em tudo. Exceto em relação ao principal, que é o trabalho. Está no Gênesis que Deus criou o homem para cultivar e cuidar da terra. Para trabalhar, portanto. Nesse aspecto, portanto, podemos imitar o Criador durante toda a nossa vida, não importando se estamos fora do mercado de trabalho por sermos criança ou aposentado.

         Observem como as crianças brincam, incansavelmente, por horas a fio, às vezes executando atividades tão repetitivas e fazendo tamanho esforço físico que nenhum adulto seria capaz de suportar. Mas sentindo prazer. Sabe o que elas estão fazendo? Trabalhando. Mostrando para nós como Deus quer que encaremos o trabalho: como uma gostosa brincadeira.

         E vejam como os idosos sentem tanto prazer em contar para nós as suas experiências de vida. E ensinar. Estão trabalhando.

         A maior causa de depressão em idosos é a recusa de ouvir suas histórias, seus ensinamentos. Sem saber, os filhos estão recusando o trabalho dos pais velhinhos, desprezando assim a sua arte de imitar Deus. Visitei certa vez um idoso quase moribundo. Ao perguntar como estava, respondeu: “só quero morrer, estou muito doente”. Mas quando o provoquei para contar como tinha sido a sua infância e ensinar alguma coisa sobre o cultivo de videiras, abriu bem os olhos e passou a falar mais alto. Logo estava sentado na cama, sorridente e feliz. Suas “muitas doenças” tinham origem no desprezo pelo seu trabalho de ensinar e contar histórias.

         A infância e a velhice seriam mais felizes se déssemos às crianças e aos idosos mais espaço para imitarem Deus, executando o trabalho sagrado de brincar e ensinar.

Aos religiosos da época, Jesus mostrou ser o trabalho tão importante, que às vezes justifica até mesmo a violação de certas normas legais. Quiseram apedrejá-lo por ter trabalhado no sábado e autorizado um homem a executar no dia santo o trabalho de carregar uma cama.

- Meu pai trabalha até agora, e eu trabalho também – argumentou o Mestre (Jo 5.17). Estava dizendo:

- Calma, só estou imitando meu Pai, tenho amor ao trabalho. E vocês devem fazer o mesmo, se quiserem ter parte no reino de Deus. Mas trabalhem por amor ao trabalho, e nunca por amor ao dinheiro, porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; o amor ao trabalho é a raiz da felicidade.

O salmo 128 diz: “Bem aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás e te irá bem”.

Comer do trabalho das nossas mãos é um privilégio. Outra verdade que extraímos desse salmo: quem não gosta de trabalhar não teme a Deus. E não é digno de viver feliz.

         O apóstolo Paulo sentencia: “Se alguém não quiser trabalhar, não coma” (II Ts 3.10). Não comer é o mesmo que morrer. Logo, o Apóstolo está explicando: quem não trabalha não merece viver. Ele está falando do trabalho executado pessoalmente, empregando esforço físico e mental próprios: “...trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão” (v. 12). E aos que trabalham recomenda distância dos vadios: “notai o tal e não vos mistureis com ele para que se envergonhe” (v. 14).

         Neste mês em que se comemora o trabalho, nossa homenagem a todos os imitadores de Deus.

Por Nilton Kasctin dos Santos (Professor e Promotor de Justiça)

Foto: Copyright: PonyWang

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