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Para não morrer no trânsito. Por Nilton Kasctin dos Santos
30/04/2021 20:53 em Opinião. Por Nilton dos Santos

Um carro só é bom quando apresenta três características fundamentais: segurança, economia e conforto. Inacreditável, mas de tanto estudar sobre carros consegui achar um de 211 cavalos de potência que faz mais de 14 km por litro de gasolina. Na última viagem fiz 14,8. Gostoso de andar. A segurança, então, nota dez. E bonito. Aliás, se tiver essas características, o carro será sempre bonito. Sedan, é claro.

         Falando em segurança, volto ao assunto dos pneus, que comecei na semana passada. Já escrevi que pneu tem que ter data de fabricação e selo de qualidade, dois itens que o consumidor precisa observar. Do contrário, não espere segurança para viajar. Seu carro pode ser uma bomba relógio.

         Digo isso porque tenho visto tragédias que não teriam acontecido se os pneus dos veículos estivessem em condições de segurança. Famílias inteiras entrando debaixo de caminhões ou capotando contra barrancos e árvores. Na maioria das vezes por causa de pneus ruins. Claro que um carro hatch por natureza não é seguro para a estrada, foi inventado para andar na cidade. Se os pneus forem ruins, então, a viagem será sempre uma tentativa de suicídio. Mesmo sem abusar da velocidade.

Numa loja quiseram me empurrar quatro pneus “novos” com sete anos de fabricação. Uma “promoção”, disse o vendedor. Pneus que já perderam a vida útil. Vencidos. Só servem para derreter e fazer asfalto. Quando percebeu que eu não era ignorante no assunto, o gerente trouxe lá dos fundos quatro pneus com dois meses de fabricação. Já dentro dos novos padrões legais vigentes desde 2015 no Brasil. Prestativo e sorridente, ainda me fez um preço bom.

Imagina só, um pneu que ficou um ano no pátio da fábrica, dois ou três no porto de Santos, no relento, a uma temperatura de 60 graus num container de lata, dois anos no galpão ou no pátio do distribuidor, e agora mais um ano ou dois perambulando pelas lojas de varejo. Isso não é mais pneu; é uma bomba. Está ressequido, empenado. Podre. Mas está em promoção. Vou comprar. E viajar com minha família. Que loucura! Por 30 pila menos, cada pneu.

         Por favor, veja bem a data de fabricação do pneu. Na loja tem sempre um mais novo do que aquele que te oferecem.

         Por favor, veja sempre a classificação de segurança. Só compre aquele que tiver a letra A em relação à aderência em piso molhado. Essa classificação tem que estar impressa no pneu.

         Aderência em piso molhado é a capacidade do pneu não derrapar na estrada molhada. Numa situação de emergência, alguns metros podem fazer toda a diferença. Um pneu classe A pode salvar sua vida. Veja só. Um veículo de passeio a 80 km/h com pneus classe A consegue parar 18 metros antes do que um com pneus de classificação F. Imagine conseguir parar 18 metros antes de bater seu carro.

         Por favor, calibre os pneus sempre que for abastecer. E antes de uma viagem. Mas veja no manual do carro quantas libras o fabricante recomenda. E coloque sempre duas a mais para as nossas estradas. É o que faço.

         Por favor, ande sempre com as rodas originais do veículo. O fabricante passou 50 anos pesquisando a melhor roda para a segurança do seu carro, e você permite que seu filho adolescente troque por rodas compradas de um “magrão” da lojinha da esquina. Que loucura. Que burrice! Um suicídio.

         Por favor, não use pneu do Paraguai. A menos que você seja suicida ou um grande idiota.

         Estou pedindo um favor pela sua vida, mas pela minha também. Você pode não dar valor à vida, andando com pneus ruins. Pode até querer morrer, mas não tem o direito de invadir a minha pista e bater no meu carro.

Por Nilton Kasctin dos Santos (Professor e Promotor de Justiça)

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