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Seu filho não pode morrer no trânsito. Por Nilton Kasctin dos Santos
22/04/2021 21:12 em Opinião. Por Nilton dos Santos

Se os pais aprendessem sobre carros, poderiam evitar a morte dos filhos em acidentes de trânsito. Mas só o que sabem é aconselhar: “não corra”, “use cinto”, “não beba”, “não faça racha”. Coisas que a gurizada tem ódio de ouvir.

        Quer saber a verdade? Seus filhos continuarão bebendo e dirigindo, disputando pega, não usando cinto, e correndo. Correndo muito. Sem qualquer preocupação com a vida. Eles são imortais, oniscientes e onipotentes. É assim que se enxergam.

        E as filhas moças? Elas continuarão preferindo andar com rapazes que fazem isso. Para elas esses são mais inteligentes, bonitos e poderosos. Todo-poderosos. A ponto de desafiar os pais, a lei e a morte. É triste. Mas é a verdade imbatível.

        Então, o que posso fazer para evitar que meu filho morra no trânsito? Aqui vão duas dicas de segurança de quem desde criança é apaixonado por estudar tudo o que os especialistas dizem sobre carros. De quem já fez dois milhões de quilômetros ao volante por esse Brasilzão de Deus. Tenho muitas dicas, mas vou dar as duas principais, que estão ao alcance dos pais.

        Primeira: nunca compre carro hatch para seu filho. Aquele curtinho. Esse tipo de carro foi projetado para a cidade e não para estrada. Não é carro para correr. E não interessa a marca. É uma questão de gravidade. Ponto.

        Mas como convencer meu filho a aceitar um sedan? Aí é uma questão de educação. Você tem que ensinar as crianças sobre carros desde que elas nascem, pois todos vivemos no meio dos carros. Até aos doze anos de idade elas escutam. E colocam na cabeça para sempre. Depois dos doze, só Deus.

        Acompanhe os jornais, e você verá que quase 100% dos veículos que perdem a estrada, entram debaixo de caminhões e batem em árvores são veículos hatchs. Parece uma coisa mágica. Mesmo em 60 por hora eles derrapam, principalmente quando a pista está molhada. Não posso aqui dizer os modelos que mais saem da estrada. Mas eu sei. E eles são todos hatchs.

        Segunda dica: aprenda tudo sobre pneus. Vire um fanático pela qualidade dos pneus do veículo. Os pneus são o principal fator de segurança de um carro. Eles são a própria estrutura de sustentação do veículo no solo. São para o carro exatamente o que o fundamento de concreto é para um prédio de 50 andares. A coisa é séria mesmo.

        Sou um chato no assunto de pneu. Outro dia vi o carro de um amigo com quatro pneus novos. – Fui no Paraguai e calcei meu auto – disse ele orgulhoso. Observei que até as “tetinhas” eram falsas. Ele ficou chocado quando comecei passar as pontas dos dedos nos pneus e mostrar os caroços por baixo da borracha nova. Data de fabricação e demais identificações obrigatórias, nenhuma. De perfil contra a luz do sol era possível ver as ondulações da borracha lateral. Pneu todo empenado. Tive que explicar ao coitado:

        - É carcaça juntada em lixão ou borracharia. Na Argentina e Paraguai tem muito disso. Refabricam o pneu em fundo de quintal. Fica novinho em folha. Mas uma bomba relógio.

        Entender de pneu não é fácil. Para achar um pneu bom, são mais de 50 itens a serem observados com atenção. Mas é a vida de seu filho que está em jogo. Então vale a pena.

        Hoje vou apenas apontar duas dicas sobre pneus que pretendo desenvolver em um próximo artigo.

Primeira: verifique a data de fabricação. Isso mesmo. Pneu tem vida útil, conforme norma específica da ABNT. Tem prazo de validade como um pacote de farinha ou um par de sapatos. A data de fabricação deve estar impressa em local bem visível.

Segunda: verifique a classificação quanto à segurança. Como uma geladeira nova, o pneu tem que apresentar, impresso na borracha, essa classificação, representada por uma letra, que vai de A a G (continua em edição posterior).

Por Nilton Kasctin dos Santos (Professor e Promotor de Justiça)

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